Paulinho da Viola já havia pedido silêncio para que pudesse escutar ‘um pouco a dor do peito’ em seu clássico Para ver as meninas, de 1971. Mesmo ali, a angústia vinha acompanhada da canção, da música. Portanto, não existia de fato o silêncio ambicionado, desejado.
Nunca há. Ao menos é o que se conclui ao se assistir o teaser do documentário ‘Silêncio’, sobre a vida reclusa de João Mello, dirigido por Cid César e Alberto Bellezia (diretor de fotografia de ‘Santiago’, de João Moreira Salles). Cid, que se define como um “antropologo/sociologo frustado”, e que já havia se embrenhado Mata Atlântica adentro atrás do ‘maluco-beleza’ Guilherme de Souza, o Hemp, agora radicaliza.
silêncio _ teaser versão zero from CCA on Vimeo.
Segundo Cid, ‘Silêncio’ rompe com a tradição documental brasileira: a maldição da entrevista. “Filmamos o silêncio. E o resultado é incrível. Sorte minha contar com uma equipe de fotografia e som tão boa. Fazer cinema com três pessoas é um exercício incrível”, surpreende Cid, que já tinha ousado bastante em Hemp.
Nada nos dois minutos e quarenta e oito segundos de teaser fazem lembrar o nome do filme. É um encadeamento de sons, ruídos, barulhos e toda espécie de atritos sonoros que, contraditoriamente, parecem dar sentido a decisão do protagonista, tomada há 27 anos, de decidir morar em uma caverna, de frente para o mar do Recreio.
“A sociologia do desvio é um assunto que estudo com pouca frequencia. Meu interesse por esses personagens é que eles nos dão grandes lições. O mundo precisa conhecer essas pessoas”, ambiciona o cineasta, dando um caráter de urgência ao que está levando às telas.
Acompanhado do canto dos grilos, do soprar dos ventos, dos matos, do chacoalhar das ondas nas rochas, o silêncio do homem conhecido como silêncio ajuda-nos, de certa forma, e minimamente, a atentar para os males que atingem (e afligem) a sociedade moderna: o excesso de fala, a deficiência de audição.
João Mello fez a opção contrária, radicalmente oposta. Cid César vai pelo mesmo caminho.
Ouvir o barulho do vento , o marulho do mar, a energia do sol iluminando a terra, sabendo que nós somos parte da centelha divina, concluimos que:
Isso é DEUS!
Parabéns! isso é poesia, isso é arte!
Muito bonita as imagens e os sons da natureza.
Adorei….
IRACI
Concordo plenamente com Iraci… E ainda nos remete a várias reflexões, como a ânsia da felicidade através do consumo e a “necessidade” da comunicação verbal a todo tempo…
Muito bom trabalho.
Bruna