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	<title>CAFÉ ESCURO</title>
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	<description>Fragmentos textuais de variações sobre temas muito semelhantes</description>
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		<title>CAFÉ ESCURO</title>
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		<title>&#8216;Quero acabar de viver o que me cabe&#8217;</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 09:01:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ouvido]]></category>
		<category><![CDATA[caetano veloso]]></category>
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		<category><![CDATA[Vladimir Maiakovski]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8216;O Amor&#8217; Vladimir Maiakovski Um dia, quem sabe, ela, que também gostava de bichos, apareça numa alameda do zoo, sorridente, tal como agora está no retrato sobre a mesa. Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la. Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame de mil nadas, que dilaceravam o coração. Então, de todo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1833&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2011/12/25/quero-acabar-de-viver-o-que-me-cabe/"><img src="http://img.youtube.com/vi/cBxMFb8igus/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><strong>&#8216;O Amor&#8217;</strong><br />
<em>Vladimir Maiakovski</em></p>
<p>Um dia, quem sabe,<br />
ela, que também gostava de bichos,<br />
apareça numa alameda do zoo, sorridente,<br />
tal como agora está<br />
no retrato sobre a mesa.</p>
<p>Ela é tão bela, que, por certo, hão de ressuscitá-la.<br />
Vosso Trigésimo Século ultrapassará o exame<br />
de mil nadas, que dilaceravam o coração.</p>
<p>Então,<br />
de todo amor não terminado<br />
seremos pagos<br />
em enumeráveis noites de estrelas.<br />
Ressuscita-me,<br />
nem que seja só porque te esperava</p>
<p>como um poeta,<br />
repelindo o absurdo quotidiano!<br />
Ressuscita-me,</p>
<p>nem que seja só por isso!<br />
Ressuscita-me!<br />
Quero viver até o fim o que me cabe!<br />
Para que o amor não seja mais escravo<br />
de casamentos, concupiscência, salários.</p>
<p>Para que, maldizendo os leitos,<br />
saltando dos coxins,<br />
o amor se vá pelo universo inteiro.<br />
Para que o dia,</p>
<p>que o sofrimento degrada,<br />
não vos seja chorado, mendigado.<br />
E que, ao primeiro apelo:</p>
<p>- Camaradas!<br />
Atenta se volte a terra inteira.<br />
Para viver livre dos nichos das casa.<br />
Para que doravante a família seja o pai,<br />
pelo menos o Universo;<br />
a mãe, pelo menos a Terra.</p>
<p><em>(1923)<br />
(Tradução de Haroldo de Campos)</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1833/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1833/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1833&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jaime Filho</media:title>
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		<title>Radicalismos</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 00:46:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversas]]></category>
		<category><![CDATA[alberto bellezia]]></category>
		<category><![CDATA[barulhos]]></category>
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		<category><![CDATA[silêncio]]></category>
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		<description><![CDATA[Paulinho da Viola já havia pedido silêncio para que pudesse escutar ‘um pouco a dor do peito’ em seu clássico Para ver as meninas, de 1971. Mesmo ali, a angústia vinha acompanhada da canção, da música. Portanto, não existia de fato o silêncio ambicionado, desejado. Nunca há. Ao menos é o que se conclui ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1806&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Paulinho da Viola já havia pedido silêncio para que pudesse escutar ‘um pouco a dor do peito’ em seu clássico <em>Para ver as meninas</em>, de 1971. Mesmo ali, a angústia vinha acompanhada da canção, da música. Portanto, não existia de fato o silêncio ambicionado, desejado.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Nunca há. Ao menos é o que se conclui ao se assistir o <em>teaser </em>do documentário <em>‘Silêncio’</em>, sobre a vida reclusa de João Mello, dirigido por Cid César e Alberto Bellezia <em>(diretor de fotografia de <em>&#8216;Santiago&#8217;</em>, de João Moreira Salles)</em>. Cid, que se define como um “antropologo/sociologo frustado”, e que já havia se embrenhado Mata Atlântica adentro atrás do ‘maluco-beleza’ <a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2010/02/08/livre-pensar/"><strong>Guilherme de Souza, o Hemp</strong></a>, agora radicaliza.</p>
<p><div class='embed-vimeo' style='text-align:center;'><iframe src='http://player.vimeo.com/video/33424135' width='400' height='225' frameborder='0'></iframe></div>
<p><a href="http://vimeo.com/33424135">silêncio _ teaser versão zero</a> from <a href="http://vimeo.com/user7520212">CCA</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Segundo Cid, <em>&#8216;Silêncio&#8217;</em> rompe com a tradição documental brasileira: a maldição da entrevista. “Filmamos o silêncio. E o resultado é incrível. Sorte minha contar com uma equipe de fotografia e som tão boa. Fazer cinema com três pessoas é um exercício incrível”, surpreende Cid, que já tinha ousado bastante em <a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2010/02/08/livre-pensar/"><strong>Hemp</strong></a>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Nada nos dois minutos e quarenta e oito segundos de teaser fazem lembrar o nome do filme. É um encadeamento de sons, ruídos, barulhos e toda espécie de atritos sonoros que, contraditoriamente, parecem dar sentido a decisão do protagonista, tomada há 27 anos, de decidir morar em uma caverna, de frente para o mar do Recreio.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">“A sociologia do desvio é um assunto que estudo com pouca frequencia. Meu interesse por esses personagens é que eles nos dão grandes lições. O mundo precisa conhecer essas pessoas”, ambiciona o cineasta, dando um caráter de urgência ao que está levando às telas.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Acompanhado do canto dos grilos, do soprar dos ventos, dos matos, do chacoalhar das ondas nas rochas, o silêncio do homem conhecido como silêncio ajuda-nos, de certa forma, e minimamente, a atentar para os males que atingem (e afligem) a sociedade moderna: o excesso de fala, a deficiência de audição.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">João Mello fez a opção contrária, radicalmente oposta. Cid César vai pelo mesmo caminho.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1806/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1806&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Mora na filosofia</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 16:04:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[corinthians]]></category>
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		<category><![CDATA[sócrates]]></category>
		<category><![CDATA[seleção]]></category>
		<category><![CDATA[zico]]></category>

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		<description><![CDATA[Reproduzo abaixo um texto do jornalista Flávio Gomes, publicado em seu blog (http://flaviogomes.warmup.com.br/), sobre a partida de Sócrates. Não sei se concordo muito com a última frase, mas é um belo texto. * * * PORRA, DOUTOR SÃO PAULO – Aí quando eu estava lá embaixo no meio daquele milhão de pessoas pedindo para votar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1776&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Reproduzo abaixo um texto do jornalista Flávio Gomes, publicado em seu blog <strong>(<a href="http://flaviogomes.warmup.com.br/" target="_blank">http://flaviogomes.warmup.com.br/</a>)</strong>, sobre a partida de Sócrates. Não sei se concordo muito com a última frase, mas é um belo texto.</em></p>
<p>* * *</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong>PORRA, DOUTOR</strong></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">SÃO PAULO – Aí quando eu estava lá embaixo no meio daquele milhão de pessoas pedindo para votar para presidente, o cara sobe lá no palanque, em cima do viaduto, ergue o punho direito, ou o esquerdo, e grita que queria a mesma coisa. Do meu lado, gente de todas as cores e credos ludopédicos erguem seus punhos, também, e aplaudem o cara, que resolveu não jogar na Europa porque queria estar aqui para ver de perto o fim daqueles anos em preto e branco.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Não deu nada certo, não votamos para porra nenhuma, e dias depois, ou semanas, não me peçam para lembrar os quandos e ondes, mas acho que era no Morumbi, e o cara enfia a bica da intermediária, nosso goleiro sem pescoço pula e não pega nada, ele ergue o punho de novo e eu xingo o cara com todas as minhas forças, doutor do caralho, filho da puta, vai tomar no cu.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Antes, Copa do Mundo na Espanha, Brasil versus União Soviética. Estamos lá na zona leste, num puxadinho junto com um monte de gente que eu também não conhecia direito, uma TV com bombril na antena, umas brahmas, gol dele, o empate, se bem me lembro. Abraços e beijos, doutor do caralho, filho da puta, joga demais, vamos, porra.</p>
<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/12/zico-socrates.jpg?w=549&#038;h=362" alt="" title="" width="549" height="362" class="alignright size-full wp-image-1790" /></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Depois daquela Copa acho que não torci mais para seleção nenhuma, depois daquela ninguém mais nos representou, talvez em 1986, era um restinho daquela, o cara estava lá de novo, com faixa na cabeça, quatro anos mais velho, mais cabeludo e mais desgostoso, perdeu um pênalti, nem xinguei de doutor do caralho. Já tinha feito muito, tudo bem, entre uma e outra ele tinha ido e voltado da Itália, aí foi jogar no Rio, queria ficar junto do povo, do povo inteiro, jeitão de fim de carreira, mas era médico, ia parar e vestir o jaleco para cuidar do povo, e ele dizia povo com autoridade, sabia bem quem era o povo, e cada um para o seu canto. Eu, que o conhecia da TV, do estádio e do Anhangabaú, para cuidar da minha vidinha besta; ele, para cuidar do povo — no falar, escrever, pensar.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Avança a fita.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Ano passado, um velho e empoeirado e querido pub em Pinheiros, faz frio, as portas já fechadas, o dono não quer nem saber, quem quiser fumar, fume, fumem e bebam  antes que o mundo acabe, o amigo tocando violão, a gente ali, tentando entender o que estava acontecendo com nossas vidas, aí ele entra alto, forte, senta, pede um vinho, sorri, canta, sorri, bebe, sorri, fuma, e a gente tira foto com ele, e o mundo é um lugar até aceitável quando a gente vê que tem gente como ele, que jogava bola, que só vencia a timidez diante da multidão falando e tocando de calcanhar, e que sorria, e bebia e fumava.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Sócrates morreu de tanto viver, que é uma boa forma de morrer.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1776/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1776/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1776&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Tudo era bom ali</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 16:03:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[infância]]></category>
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		<description><![CDATA[Curioso que o cara que tenha, por tantos anos, alegrado a vida de um bando de moleques e meninas vestido de Papai Noel (e distribuído uma infinidade de brinquedos bacanas), tenha &#8216;escolhido&#8217; justo dezembro para partir. Ainda assim, Natal sempre estará associado às festas na casa fodona que todo mundo queria morar, naquela rua barrenta. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1779&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/12/puma.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" title="" width="300" height="225" class="alignright size-medium wp-image-1781" />
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"> Curioso que o cara que tenha, por tantos anos, alegrado a vida de um bando de moleques e meninas vestido de Papai Noel (e distribuído uma infinidade de brinquedos bacanas), tenha &#8216;escolhido&#8217; justo dezembro para partir. </p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Ainda assim, Natal sempre estará associado às festas na casa fodona que todo mundo queria morar, naquela rua barrenta. Já seria demais, se ainda não fossem os rolês no kart amarelo, os passeios de Jipe, de Landau, de Dodge Dart, as voltas no Puma lotado de moleques se achando o Michael Jackson, o Opalão emprestado para as voltas na pracinha, os discos-formação do Rei Roberto Carlos dados de presente, os grandes bolos confeitados e, por tabela, as aulas &#8216;abre-cabeça&#8217; de matemática. Grandes momentos, seu Nilton, grandes lembranças&#8230;</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"> Valeu, Tarzan!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1779/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1779/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1779&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jaime Filho</media:title>
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		<title>Como se nunca houvera sido</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 04:07:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[a fábrica do poema]]></category>
		<category><![CDATA[adriana calcanhotto]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
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		<description><![CDATA[Lembrei da história ontem e já não sei onde e quando ouvi, nem mesmo se os ingredientes estão corretos. Mas estou quase certo que foi contada pela própria Adriana. Homem embrenhado das solas dos pés aos cachos dos cabelos com o que se fez de relevante na música popular brasileira das décadas de 60 a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1761&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Lembrei da história ontem e já não sei onde e quando ouvi, nem mesmo se os ingredientes estão corretos. Mas estou quase certo que foi contada pela própria Adriana.</em></p>
<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/waly_02.jpg?w=330&#038;h=220" alt="" title="" width="330" height="220" class="alignright size-medium wp-image-1764" />Homem embrenhado das solas dos pés aos cachos dos cabelos com o que se fez de relevante na música popular brasileira das décadas de 60 a 90, o poeta Wally Salomão em dado momento acreditou que poderia desvincular-se das canções.</p>
<p>O período coincidiu com a produção do terceiro álbum de Adriana Calcanhotto. Quando, no processo de escolha de repertório, a cantora pediu uma música para o novo disco, Wally, irritadiço, deu-se à tarefa de elaborar um ‘poema imusicável’. Depois de alguns dias, enviou algo.</p>
<p>- Tome aí. Veja o que você consegue fazer – disse Wally, em tom desafiador.</p>
<p>O resultado está abaixo.</p>
<p>* * * * *</p>
<p><strong>A fábrica do poema</strong><br />
<em>(Adriana Calcanhotto, Waly Salomão)</em></p>
<p>Sonho o poema de arquitetura ideal<br />
Cuja própria nata de cimento<br />
Encaixa palavra por palavra, tornei-me perito em extrair<br />
Faíscas das britas e leite das pedras.<br />
Acordo!<br />
E o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo.<br />
Acordo!<br />
O prédio, pedra e cal, esvoaça<br />
Como um leve papel solto à mercê do vendo e evola-se,<br />
Cinza de um corpo esvaído de qualquer sentido<br />
Acordo, e o poema-miragem se desfaz<br />
Desconstruído como se nunca houvera sido.<br />
Acordo! </p>
<p>Os olhos chumbados pelo mingau das almas<br />
E os ouvidos moucos,<br />
Assim é que saio dos sucessivos sonos:<br />
Vão-se os anéis de fumo de ópio<br />
E ficam-me os dedos estarrecidos.<br />
Metonímias, aliterações, metáforas, oxímoros<br />
Sumidos no sorvedouro.<br />
Não deve adiantar grande coisa permanecer à espreita<br />
No topo fantasma da torre de vigia<br />
Nem a simulação de se afundar no sono.<br />
Nem dormir deveras.<br />
Pois a questão-chave é:<br />
Sob que máscara retornará o recalcado?</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2011/11/27/como-se-nunca-houvera-sido/"><img src="http://img.youtube.com/vi/qVy51AAxQTE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1761/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1761/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1761&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Jaime Filho</media:title>
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		<title>(des)conto</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 16:19:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversas]]></category>
		<category><![CDATA[artérias]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[rubem fonseca]]></category>
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		<description><![CDATA[- Sabe aquele escritor que criou aquele personagem? - Sei. - Então&#8230; sabe aquela escritora? - Sei, sei. - E também tem aquele que começou escrever agora, né? - É, tem sim. - Então&#8230; se todo mundo bebe naquela fonte, por que eu que sou filho, não posso? O diálogo acima, em tom de deboche, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1749&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/artc3a9rias.jpg?w=199&#038;h=300" alt="" title="" width="199" height="300" class="alignright size-medium wp-image-1751" />- Sabe aquele escritor que criou aquele personagem?<br />
- Sei.<br />
- Então&#8230; sabe aquela escritora?<br />
- Sei, sei.<br />
- E também tem aquele que começou escrever agora, né?<br />
- É, tem sim.<br />
- Então&#8230; se todo mundo bebe naquela fonte, por que eu que sou filho, não posso?</p>
<p>O diálogo acima, em tom de deboche, foi travado com o escritor e fotógrafo Zeca Fonseca, em meados dos anos 2000. Ele falava sobre as possíveis comparações de seu primeiro livro, na época ainda em produção, com o trabalho de seu pai, Rubem Fonseca &#8211; um dos maiores contistas do país.</p>
<p>Pois é exatamente nesse gênero literário (contos) que Zeca estreia agora com <em>&#8216;Artérias&#8217;</em>, que será lançado nesta quarta-feira, 23 de novembro, 19h, na Livraria Argumento, no Leblon. </p>
<p>Já havia falado de Zeca Fonseca nos posts <a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2010/06/15/nao-sou-mau-com-as-mulheres/" target="_blank"><strong><em>‘Não sou mau com as mulheres’</em></strong></a> e <a href="http://cafeescuro.wordpress.com/2010/02/11/9-milimetros/" target="_blank"><strong><em>&#8217;9 milímetros&#8217;</em></strong></a>. <em>&#8216;Artérias&#8217;</em> é o terceiro livro de Zeca, lançado após os romances <em>&#8216;O adorador&#8217;</em> (2007) e <em>&#8216;Pandemônium&#8217;</em> (2010).</p>
<p><em>&#8216;O adorador&#8217;</em> deve ganhar uma adaptação para o cinema, dirigida pelo irmão de Zeca, José Henrique Fonseca, que acaba de filmar <em>&#8216;Heleno&#8217;</em>, sobre a vida o jogador de futebol Heleno de Freitas, vido nas telas por Rodrigo Santoro.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1749/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1749/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1749&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Melô do amor</title>
		<link>http://cafeescuro.wordpress.com/2011/11/22/melo-do-amor/</link>
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		<pubDate>Tue, 22 Nov 2011 04:58:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Instatâneos]]></category>
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		<description><![CDATA[“Estou no fundo do poço / meu grito lixa o céu seco”. Eram esses os primeiros versos da canção ‘José’, que em 1987 abriam o álbum Caetano e expunham as vísceras da separação do músico baiano com sua primeira mulher, Dedé Veloso. Em uma época pré-revista Caras, era no terreno das artes, sobretudo da música, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1731&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>“Estou no fundo do poço / meu grito lixa o céu seco”</em>. Eram esses os primeiros versos da canção ‘José’, que em 1987 abriam o álbum Caetano e expunham as vísceras da separação do músico baiano com sua primeira mulher, Dedé Veloso.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Em uma época pré-revista <em>Caras</em>, era no terreno das artes, sobretudo da música, onde se podia observar com relativa sutileza os descaminhos dos relacionamentos amorosos. Em alguns casos, eram os discos (ou LPs) que anunciavam que algo não ia bem naquela seara, que os ídolos também vacilavam como simples mortais.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Em um sem número de exemplos, os rasgos sentimentais estão escondidos sob uma pseudo carcaça pop, rock ou o coisa que a valha.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Esse talvez fosse o caso do álbum <em>Bora Bora</em>, dos Paralamas do Sucesso, que embora começasse jogando o ouvinte desavisado ‘pra cima’ com ‘O beco’, trazia em si versos subterrâneos como <em>“descobri mil maneiras de dizer o seu nome com amor, ódio, urgência ou como se não fosse nada”</em>. E, mais adiante, ainda falava em <em>“paixão, insônia, doença, liberdade vigiada”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Ainda que não precisasse, havia contudo o lado B do LP aberto por ‘Uns dias’, onde Herbert Vianna jorrava o fel de um casamento turbulento com Paula Toller. <em>“Eu nem te falei que te procurei pra me confessar / Eu chorava de amor e não porque eu sofria / Mas você chegou já era dia e não tava sozinha / Eu tive fora uns dias / Eu te odiei uns dias / Eu quis te matar”</em>. Mais passional, impossível.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">O jornalista Arthur Dapieve conta no livro <em>Brock &#8211; o Rock Brasileiro dos Anos 80</em> que foi justamente esse lado B de <em>Bora Bora</em> que fez Cazuza atirar-se aos pés de Herbert Vianna, quando os dois se cruzaram em um aeroporto, logo após o lançamento do álbum, dizendo que queria ter composto aquela parte do disco.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Não por acaso Cazuza regravaria ‘Quase um segundo’ (a segunda do lado B de <em>Bora Bora</em>) em seu disco <em>Burguesia</em>. A canção parecia suplicar por respostas e vagar no terreno nebuloso do amor e ódio. <em>“Às vezes te odeio por quase um segundo depois te amo mais / Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo que não me deixa em paz”</em>, sussurrava Herbert e, depois, Cazuza.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">São pródigos os exemplos de álbuns escancaradamente confessionais, desbragadamente passionais. Não é improvável que Ângela Ro Ro esteja próxima do recorde de pontuar sua carreira com o espelhamento de sua tumultuada vida amorosa. Como se uma estivesse intrinsecamente ligada à outra. E com direito a cenas policialescas.  A síntese disso talvez esteja na canção ‘Escândalo’, composta por Caetano para Ro Ro. <em>“Eu marquei demais, tô sabendo / Aprontei de mais, só vendo / Mas agora faz um frio aqui / Me responda, tô sofrendo”</em>, canta Ro Ro, perguntando e dando resposta.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Despedidas não são fáceis. Em alguns casos, a tradução em palavras se faz através das canções que, ao mesmo tempo que geram identificação, parecem funcionar como anzóis que fisgam artérias importantes bem no meio do peito. É o caso de ‘Tudo que vai’, de Alvin L, gravada por Toni Platão e Capital Inicial. <em>“Hoje é o dia e eu quase posso tocar o silêncio / A casa vazia / Só as coisas que você não quis me fazem companhia”</em>. Versos que se ouvem como se estivesse a empacotar caixas, separar livros e, por que não?, discos. <em>“Fica o gosto, ficam as fotos / Quanto tempo faz? / Ficam os dedos, fica a memória / Eu nem me lembro mais”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">São citações sem fim. Isso sem enveredarmos no mundo do samba, sem pensarmos em Herivelto Martins, nem lembrarmos Vinícius de Moraes, o que poderia render uma enciclopédia do desamor (ou do amor demais). Alguns casos de canções sobre amores desfeitos causam repulsa no próprio compositor, tamanha a carga do que ali foi exposto. Certa vez, quando já estava no bis de um show no Canecão, no Rio, Adriana Calcanhotto perguntou o que o público queria ouvir e alguém gritou do meio da platéia: <em>“Mortaes”</em>. Imediatamente ela retrucou: <em>“Essa eu não canto. De jeito nenhum”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Na música em questão (penúltima de seu álbum de estreia, <em>Enguiço</em>), ela dramatizava: <em>“Não quero nem ouvir falar de ti, eu quero ensurdecer / Quero perder-te no mofo das esquinas / Esquecer tuas manias e morrer”</em>. E como que para não deixar dúvidas de que algo de muito profundo havia acontecido naquela relação, ela concluía: <em>“Eu quero é nesse verão atracar meu navio no caos / Sinto que o meu coração tá cansado de momentos maus / Maus bocados passamos mas eu sinto que estamos atentos / Penso que até o fim do ano nós estaremos solteiros”</em>, lamentava, dando pistas de que no próximo ano&#8230;</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Hoje as sutilezas poéticas das canções têm de competir com a ‘evasão de privacidade’ oferecidas às revistas de fofoca, com o auxílio luxuoso das notícias ‘em tempo real’. Para que esperar a gravação de um disco se a última separação já está online?</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Hoje, já não interessam apenas os queixumes dos artistas; os dissabores do mais simples dos mortais estão a um clique. As redes sociais ajudaram a compartilhar uma avalanche de ‘vidas felizes’ e acabaram com pudores maiores, como dividir para centenas de ‘amigos’ uma frustração amorosa. Um teatro virtual da vida, que faz pensar nos versos finais de ‘Acrilic on Canvas’, da Legião Urbana.  </p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>“Mas então, por que eu finjo que acredito no que invento? / Nada disso aconteceu assim, não foi desse jeito / Ninguém sofreu e é só você que me provoca essa saudade vazia / Tentando pintar essas flores com o nome de ‘amor-perfeito’ e ‘não-te-esqueças-de-mim’”</em>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1731&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O filho de Luiza Mahin</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 23:16:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[disque-denúncia]]></category>
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		<description><![CDATA[por Zeca Borges Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, morto pelos paulistas, uma gente estranha naquele tempo, que nem português falava direito. Eram pardos. Descendentes de tupiniquins, acabariam desbravando e conquistando o país. Nem sempre se deram bem. Levaram uma corrida dos reinóis nas Geraes. Mas hoje em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1718&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong><em>por Zeca Borges</em></strong></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, uma homenagem a Zumbi dos Palmares, morto pelos paulistas, uma gente estranha naquele tempo, que nem português falava direito. Eram pardos. Descendentes de tupiniquins, acabariam desbravando e conquistando o país. Nem sempre se deram bem. Levaram uma corrida dos reinóis nas Geraes. Mas hoje em dia fazem o que bem entendem com o país.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/luiz_gama-2.jpg?w=549" alt="" title="Luiz Gama"   class="alignright size-full wp-image-1719" />É de um grande paulista, nascido na Bahia, que o dia de Zumbi me faz lembrar: Luiz Gama, um negro, que como Zumbi, tinha conhecimento das letras. Zumbi aprendeu Português e Latim ainda criança, desde cedo teve boa formação. Luiz Gama, bem mais tarde: foi alfabetizado aos 17 anos. Fugiu aos 18. Assentou praça na Força Pública de São Paulo em 1848. E ali teve acesso a uma rica biblioteca, de seu protetor e mestre, o conselheiro Furtado. Ele mesmo nos relata: ”o exmo. sr. Conselheiro Furtado, por nímia indulgência, acolheu benigno, em seu gabinete, um soldado de pele negra, que solicitava ansioso os primeiros lampejos da instrução primária. Ao entrar nesse gabinete, consigo levava ignorância e vontade inabalável de instruir-se.”</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Quando ouço falar de grandes vultos brasileiros, não encontro nenhum que se compare ao advogado (rábula) Luiz Gama, filho de uma quitandeira em Salvador, Luiza Mahim, nagô livre e sempre envolvida nas diversas rebeliões locais. Há um tempo a revista Época fez uma pesquisa entre seus leitores sobre qual o maior dos brasileiros. Rui Barbosa foi o escolhido. Baiano por baiano, sou mais o filho de Luiza Mahim. Rui concordaria comigo, conhecia e admirava Gama. Não sei se houve leitores que votaram em Zumbi. Mas o meu voto foi para Luiz Gama, não só o maior dos brasileiros, como também o mais corajoso. E herói, não mártir. Vitorioso e reverenciado em vida. Temido pelos inimigos da liberdade. Seu enterro foi o mais emocionante acontecimento da história de São Paulo. Um dia vocês verão isso em uma minissérie da Globo, e, aí, vão acreditar.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Nem em São Paulo ele hoje é reconhecido. Num artigo em que comenta o desrespeito às leis contra o tráfico negreiro pelo Império Brasileiro, Marcelo Coelho perdeu uma boa oportunidade de citar Luiz Gama, que libertou centenas e centenas de escravos com base nessas leis. Todos haviam chegado ao Brasil após a proibição. Também Boris Fausto, em outro artigo na Folha de SP, fez comentários sobre o Conselho de Estado e sobre um parecer de Pimenta Bueno que tratava da condição dos escravos perante a constituição brasileira de sua época (cerca de 1860). Seria oportuno também citar Luiz Gama, que em um longo artigo – “Questão Jurídica”, em 18 de outubro de 1880, em A Província de São Paulo &#8211; relata e praticamente esgota o assunto das tentativas de interpretação dos escravocratas a respeito da lei de 7 de novembro de 1831 (“para inglês ver”), e onde bate pesado no então conselheiro Nabuco de Araújo (pai de Joaquim Nabuco).</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Duas citações deste grande herói brasileiro bastam para fazê-lo o maior de todos:<br />
<strong><em>“O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”</em> </strong>– Tribunal do Júri de Araraquara (o presidente do júri se viu obrigado a suspender a sessão, devido ao tumulto provocado).<br />
<strong><em>“O Brasil americano e as terras do Cruzeiro sem rei e sem escravos” </em></strong>– São Paulo, 2 de dezembro de 1869, dia do aniversário de D. Pedro II.</p>
<p>* * *</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Decidi compartilhar aqui no <strong>Café Escuro </strong>o texto de Zeca Borges, coordenador do Disque-Denúncia, em homenagem ao Dia da Consciência Negra, comemorado neste 20 de novembro.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1718/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1718/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1718&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O que escrever agora?</title>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 00:27:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Conversas]]></category>
		<category><![CDATA[cartas]]></category>
		<category><![CDATA[fernando sabino]]></category>
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		<category><![CDATA[m[ario de andrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Isso se arrastou por umas boas semanas. A tarefa era ler e resenhar Cartas a um jovem escritor e suas respostas (Record), livro de correspondências trocadas entre o então iniciante escritor Fernando Sabino e o já consagrado poeta Mário de Andrade. Função de facilidade aparente. Topei, muito por conta de um outro livro que havia [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1690&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Isso se arrastou por umas boas semanas. A tarefa era ler e resenhar <strong><em>Cartas a um jovem escritor e suas respostas</em></strong> (Record), livro de correspondências trocadas entre o então iniciante escritor Fernando Sabino e o já consagrado poeta Mário de Andrade. Função de facilidade aparente.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Topei, muito por conta de um outro livro que havia me caído nas mãos meses antes: <strong><em>Mário de Andrade – A morte do poeta </em></strong> (Civilização Brasileira). Na última Bienal do Livro do Rio troquei umas poucas palavras com o professor e filósofo Eduardo Jardim, autor do livro, sobre os últimos anos do poeta no Rio.</p>
<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/mario-de-andrade.jpg?w=278&#038;h=300" alt="" title="" width="278" height="300" class="alignleft size-medium wp-image-1709" />
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">A pretensão agora era sobrepor, ou melhor, por diante um do outro dois Mários: o primeiro aquele que se dizia <em>“mentalmente fatigadíssimo, num bem completo esgotamento intelectual”</em>; o segundo aquele capaz de despertar, no mesmo período, ressalte-se, um estado de absoluta euforia em um jovem Sabino, prenhe por <em>“continuar querendo saber”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">É este segundo Mário <em>(o primeiro estaria sempre à sombra, rondando)</em> que daria o empurrão salvador ao escritor mineiro e com ele se corresponderia entre os anos de 1942 e 1945, ano de sua morte. Entender como um desencantado poeta pôde ser um sopro de vida em uma já pulsante criatura era o que buscava.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">As leituras dos dois livros, no entanto, se embaralhavam e atrapalhavam. Enquanto buscava na obra de Jardim referências ao Mário epistolar, encontrava neste o retrato de um artista desiludido dando esperanças ao garoto. Enquanto houve tempo, ambos sugaram e entregaram o que puderam entre si.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong><em>Cartas a um jovem escritor&#8230;</em></strong> é uma espécie de diário múltiplo. Nele é possível observar a transformação de um discípulo em par de seu mentor; é possível acompanhar, quase que passo a passo, a angústia existencial do poeta que vê a morte aproximar-se; e, sobretudo, o florescer de uma sincera amizade que teria papel fundamental na carreira e na vida de Fernando Sabino.</p>
<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/fernando-sabino.jpg?w=234&#038;h=300" alt="" title="Fernando Sabino" width="234" height="300" class="alignright size-medium wp-image-1697" />
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">No prefácio de <strong><em>Cartas a um jovem escritor&#8230;</em></strong> Fernando Sabido diz a certa altura: <em>“Eu lhe confiava as minhas dúvidas e preocupações literárias com o ardor dos que querem vencer a todo custo: o problema da sinceridade do artista, a importância ou desimportância do sucesso, a necessidade de escrever e ao mesmo tempo ganhar a vida, o aprimoramento do estilo, a opção entre a arte social e a arte pela arte, e outros temas em moda na época”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Depois desse ponto, leitura estanque, pensava apenas em quais seriam as dúvidas dos novos escritores – isso no caso daqueles que se permitem ter dúvidas. Pois a impressão mais freqüente <em>(particular e possivelmente torta, dirão)</em>, é de que questionamentos são associados à insegurança, algo que, de forma alguma, condiz com a postura altaneira dos novíssimos.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Não há dúvidas, penso. Encaminhá-las, quando surgem, a nomes “consagrados” da literatura, ligados ao que vem sendo produzido há séculos e a possível representação do que de mais arcaico há, seria a subserviência elevada à enésima potência. <em>“Flaubert não me diz nada”</em>, já ouvi. Os novos não perguntam; respondem, respondem, respondem apenas. Raras são as exceções.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Mais adiante, ainda no prefácio, Sabido prosseguia: <em>“Foram numerosas cartas de parte a parte (&#8230;). Representavam o que poderia haver de mais precioso para um jovem que pretendesse ser escritor. Teria adiantado? Relidas agora, diante dos problemas de hoje, parecem falar de um tempo morto e de assuntos já sem memória, como se estivéssemos discutindo o sexo dos anjos”</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Era o que dizia. Por ora, penso na humildade de um escritor como Antônio Dutra trocando cartas com Sérgio Sant’Anna; imagino a eletricidade verborrágica de Mariel Reis diante de um pacato Antônio Torres; e aguardo, ainda, novas indagações de Simone Paterman, cheias de pausas longuíssimas, a uma elegante e inebriada Nélida Pinõn <em>(a exemplo da publicada por Paralelos)</em>.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Noves fora o arremedo de resenha, resta apenas um pedido: perguntem, perguntem, perguntem.</p>
<p><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/cartas2.jpg?w=110&#038;h=160" alt="" title="" width="110" height="160" class="alignleft size-thumbnail wp-image-1704" />
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>Cartas a um jovem escritor e suas respostas<br />
Fernando Sabino e Mário de Andrade<br />
Editora Record<br />
224 páginas</em></p>
<p>. . .</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong><em>Publicado originalmente em Paralelos.org – 19 de novembro de 2005</em></strong>. <em>(Somente poucos segundos antes de clicar no botão &#8216;Publicar&#8217; foi que me dei conta que essa &#8216;republicação&#8217; acontece exatamente seis anos após a primeira).</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafeescuro.wordpress.com/1690/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafeescuro.wordpress.com/1690/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1690&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>&#8220;OK, vamos lá&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Nov 2011 18:39:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jaime Filho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[bope]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dia após as forças de segurança do Estado tomarem a favela da Rocinha, lembrei de uma história acontecida em 2004 na comunidade, na época controlada por outro &#8220;bandido mais procurado do Estado&#8221;. De lá para cá, outros bandidos &#8220;número 1&#8243; surgiram e sumiram do mapa. Acredita-se que, na Rocinha, essa sequência de algozes tenha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafeescuro.wordpress.com&amp;blog=11686521&amp;post=1668&amp;subd=cafeescuro&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Um dia após as forças de segurança do Estado tomarem a favela da Rocinha, lembrei de uma história acontecida em 2004 na comunidade, na época controlada por outro &#8220;bandido mais procurado do Estado&#8221;. De lá para cá, outros bandidos &#8220;número 1&#8243; surgiram e sumiram do mapa. Acredita-se que, na Rocinha, essa sequência de algozes tenha chegado ao fim na madrugada deste domingo, 13 de novembro de 2011.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Alguns meses depois daquele episódio, contei essa história em um email para um grupo de amigos. Email esse que eu recuperei e colo abaixo. Hoje ele certamente tem uma graça que eu não vi naquele dia.</p>
<p>* * *</p>
<p><div id="attachment_1677" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/rocinha-moskow.jpg"><img src="http://cafeescuro.files.wordpress.com/2011/11/rocinha-moskow.jpg?w=300&#038;h=300" alt="" title="Favela da Rocinha / Foto: Moskow - 2005" width="300" height="300" class="size-medium wp-image-1677" /></a><p class="wp-caption-text">Favela da Rocinha / Foto: Moskow - 2005</p></div> <strong><em>De: Jaime Filho<br />
Enviada em: terça-feira, 15 de março de 2005 13:46<br />
Para: Stafff<br />
Assunto: [stafff] &#8230;mas o Chacrinha continua balançando a pança</em></strong></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">O Bope <em>(Batalhão de Operações Especiais)</em> tinha subido a Rocinha no dia anterior e barbarizado. Aquilo que todo mundo já sabia e repetia: tapa na cara de morador, entram nas casas, mandam fazer suquinho e tal, mas vagabundo mesmo não pegam.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Estavam atrás do Lulu, chefe do tráfico na favela. Na &#8220;troca de tiros&#8221; com a bandidagem <em>(a desculpa é sempre essa – quem troca tiro não atira em caixa d’água) </em>perfuraram meia favela.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Dia seguinte estavam lá os &#8220;reporti&#8221; pra registrar tudo. O presidente de uma das associações perguntou se queríamos ver o local que &#8220;tinha virado peneira&#8221; com os fuzis do Bope <em>(que também poderiam ser do tráfico)</em>. Breve silêncio. Enfim, um &#8220;OK, vamos lá&#8221;. Foram equipes de quatro veículos.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Sobe, sobe, sobe, no meio da favela ele parou numa praça e disse: &#8220;É aqui. Olha ali, olha ali, olha ali. E tudo destruído, furado. Aí fomos fazendo o caminho que teoricamente os caras teriam feito. A ‘rua’ vai estreitando até virar um beco de, no máximo, 80 centímetros de largura. Barracos de dois, três, quatro pavimentos, deixando tudo ainda mais claustrofóbico. Várias fotos dos buracos, closes e tal, até que um fotógrafo do JB, mirando uma perfuração de bala pegou, lá trás, um cara do bicho no fundo.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">- ME PEGARAM, ME PEGARAM. CARALHO, ME PEGARAM! – gritava o traficante, acreditando ter sido fotografado.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Do beco transversal onde ele estava encostado, observando o movimento, saíram mais de 12 cabeças <em>(exibindo armamento de soldado americano no Iraque)</em> atrás da bendita câmera. Pânico nível vermelho, daquele que te transforma numa estátua de sal.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Alheia a toda gritaria e armamento pesado, a fotógrafa que estava comigo <em>(ótima fotógrafa, mas míope)</em> continuava fotografando as perfurações de bala como se estivesse fotografando borboletas. Universo paralelo.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Eu, que não movia um músculo, consegui pedir, com um fio de voz: </p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">- Kita, por favor, chega de fotos. Dá um tempinho, por favor.<br />
- O que houve?<br />
- Olha prali Kita. A gente tá fudido</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><em>(Pense em um beco minúsculo e quase vinte homens armados gritando coisas como: “Acabou. Ninguém sai daqui hoje. Leva lá pra cima”, e coisas do tipo)</em></p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Depois de o fotógrafo convencer que não tinha pego o malaco no <em>clic</em>, o presidente da associação conseguiu acalmar a rapaziada e tirar a gente da cova já quase fechada.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Nos arrastamos para fora do beco e quando estávamos quase lá fora, o suposto fotografado gritou:</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">- Ei, ei! Quer tirar foto? Tira daqui, ó. <em>(Nesse momento ele vem em nossa direção, levantando a camiseta e mostrando duas pistolas na cintura. Para, cruza os braços com as duas armas em punho e faz pose)</em>. Quem teve forças agradeceu e disse: &#8211; Não, obrigado.</p>
<p align="JUSTIFY"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:small;">Muita calça imprestável, naquele dia, foi pro lixo.</p>
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			<media:title type="html">Jaime Filho</media:title>
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			<media:title type="html">Favela da Rocinha / Foto: Moskow - 2005</media:title>
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