…o medo da perda da consciência

– Era garoto, no começo dos anos 1950, quando comecei a ver as imagens reveladas dos campos de concentração e elas nunca pararam de me assombrar porque eram revelações cada vez mais terríveis e detalhadas. Minha principal fonte de pesquisa foram os filmes que George Stevens fez acompanhando o Exército de libertação, quando chegou aos campos. Ele documentou o que agora transformo em ficção para expressar as alucinações de Teddy. (Estado de São Paulo – 15/02/2010, em entrevista concedida ao repórter Luiz Carlos Merten)

– Por ser contada em diferentes níveis de percepção, a história poderia apresentar algum tipo de dificuldade dramática para os atores. Especialmente para Leo, porque tudo o que vemos no filme é intermediado pelos olhos do personagem dele. Seria preciso controlar a intensidade da interpretação, para mais ou para menos, dependendo do contexto da sequência filmada, sem que isso pudesse comprometer o desenlace da trama. Resolvemos sugerir que ele interpretasse os diferentes segmentos da maneira mais realista possível; as sutilezas de cada um deles foram resolvidas na sala de edição – explicou o diretor de 67 anos, que encontrou em DiCaprio uma versão mais jovem de Robert DeNiro, seu antigo ator-fetiche. – A confiança mútua é a chave de qualquer boa parceria e esta só é conquistada com o tempo. Vejo Leo como um jovem se transformando num ator maravilhoso e é um privilégio testemunhar essa evolução de perto. (Jornal do Brasil – 07/02/2010, em entrevista ao repórter Carlos Helí de Almeida)

– É difícil definir “Ilha do medo”. É um thriller de suspense, é um drama psicológico, é uma história de horror, é um filme de guerra. Na verdade, o filme é um misto de tudo isso. Eu fui atraído pelo roteiro, que é uma investigação policial eletrizante, e também pela emoção do protagonista, um combatente da Segunda Guerra nos anos 1950. Para mim, a forma mais cinematográfica de traduzir essa emoção foi conduzir as imagens no ritmo da música. Mudei cenas inteiras por causa da trilha sonora. Queria fazer uma sinfonia moderna – define Scorsese. (O Globo – 13/02/2010, em entrevista concedida à reporter Marília Martins)

– A paixão de Martin pelo que ele faz é contagiante. As pessoas que trabalham com ele se sentem energizadas por ela. Isso dentro e fora do set, porque quando não está filmando ele nos convida para assistir filmes antigos e aponta detalhes sobre cores, montagem, clima ou tipo de interpretação que gostaria de usar. Martin aprendeu cinema vendo filmes de mestres do passado e utiliza o trabalho deles como uma paleta de cores. É como assistir a Van Gogh criando um novo quadro – comparou o ator californiano em entrevista ao Jornal do Brasil, durante o Festival de Berlim, onde Ilha do medo fez sua pré-estreia mundial, fora de competição. – Fiquei impressionado com ele desde a primeira vez que fizemos um filme juntos (Gangues de Nova York), há quase 10 anos, mas ele continua me surpreendendo até hoje. Mesmo depois de 40 anos de carreira, Martin continua forçando os limites. Estou sempre aprendendo novas coisas com ele. (Jornal do Brasil – 07/02/2010, em entrevista ao repórter Carlos Helí de Almeida)

– Teddy Daniels é um protagonista que exigiu muito de Leo emocionalmente. Ele é a consciência do espectador, que vai aprendendo a conhecer os outros personagens na medida em que vai investigando. Teddy vai para a ilha para fazer uma investigação e enfrentar seus próprios fantasmas. Leo me lembra muito Robert De Niro, porque ele tem essa intensa conexão emocional com os personagens – compara Scorsese. (O Globo – 13/02/2010, em entrevista concedida à reporter Marília Martins)

– Sem dúvida, e o mais difícil foi trabalhar o clima (a atmosfera). Digamos que fui influenciado por um certo número de filmes, por A Ilha dos Mortos Vivos, de Mark Robson, a que assisti quando criança, e também A Sétima Vítima. São filmes assustadores, mas que não mostram muita coisa, agindo mais com a sugestão. Também mostrei à equipe Os Inocentes, de Jack Clayton. São todos filmes sobre obsessões mórbidas, sobre segredos que, quando revelados, mudam nossa percepção das coisas. (…) O filme é sobre o embate entre sonho e realidade, entre normalidade e loucura, como você diz, porque as coisas mudam e nada é o que parece ser. A cor é fundamental no processo todo. Posso dizer que o conceito na criação da atmosfera de Ilha do Medo veio basicamente da cor. (Estado de São Paulo – 15/02/2010, em entrevista concedida ao repórter Luiz Carlos Merten)

>>> ‘Ilha do Medo’ estreia nesta sexta-feira, 12 de março de 2010.

As matérias na íntegra:

O Globo
Scorsese usa a música como guia de ‘Ilha do medo’, mais uma intrincada trama policial

Jornal do Brasil
Parceiros do crime

Estadão
Novo thriller de Scorsese decepciona

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