Mandrake

Trecho da matéria de Roberta Pennafort para O Estado de S.Paulo

Quando vestiu pela primeira vez o terno de Mandrake, o advogado criminalista sedutor, obsessivo e astuto saído dos livros de Rubem Fonseca, Marcos Palmeira ganhou fios brancos na sala de maquiagem. Sete anos, duas novelas, uma peça, seis filmes e uma filha depois, o ator volta a Mandrake já mais grisalho, ainda que não aparente ter 48 anos.

De janeiro e até março – inclusive no carnaval -, sob o sol cruel de verão e a direção de Zé Henrique Fonseca, filho do escritor e idealizador do projeto, ele grava Mandrake, o telefilme, que será exibido em duas partes na HBO, emissora que produziu os treze episódios da série em 2005 e em 2007. A estreia deve ser no segundo semestre.

A equipe é a mesma, a qualidade da imagem é de cinema (era película, agora é digital). Mandrake é que aparece com novos conflitos, reflexivo, com a autoestima e a credibilidade em baixa – e um caso nada fácil para frente, que envolve adultério e assassinatos. As locações são carioquíssimas, como ele: a praia, o centro antigo, a região dos inferninhos de Copacabana.

Foi na segunda-feira, dia em que os termômetros chegaram a apontar 41 graus, que o Estado acompanhou a gravação. O cenário era a mansão na Barra da Tijuca escolhida para ser a casa de João Paulo Birman, o ricaço vivido por Carlos Alberto Riccelli que é o cliente da vez. É Mandrake mais uma vez nas altas rodas, assim como na Avenida Prado Junior das prostitutas e dos cafetões.

Zé Henrique, que sempre teve o apoio do pai na empreitada (“ele assiste, comenta, acha que o Marquinhos faz muito bem e não reclama de nada”), escreveu os primeiros episódios com base nas peripécias de Mandrake em livros como Lúcia McCartney (1967) e A Grande Arte (1983), e em Mandrake, a Bíblia e a Bengala (2005). Depois passou a criar histórias originais.

A do filme foi encomendada há seis meses pela HBO, que agora banca a produção (em parceria com a produtora de Zé, a Goritzia), tamanho foi o sucesso da série, que concorreu duas vezes ao Emmy. “Eu estava doido para que essa volta acontecesse. Marquinhos faz o personagem até dormindo, já tem o tom”, diz o diretor, que vislumbra a retomada da série.

A HBO não confirma. Em janeiro, foram disponibilizadas para locação as duas temporadas; em junho, os DVDs chegam às lojas para venda.

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Você gosta de samba, aparece não avisa

Desenho by Mariana Newlands

Muitos sorrisos, histórias e historinhas. Vinho. Fraquinha para o álcool. Pouco vinho, então. Música boa. Memória oscilante. Qual é essa mesmo? Pode acontecer, dentro de alguns dias. Gostou do livro e pediu outro. Agora vai nadar de manhã e tem ido mais ao cinema à tarde. Quer cozinhar também, comprou até um livro desses com fotos bonitas. O cheiro é bom, mesmo sem perfume. Janelas abertas nº 7. Deixou um monte de coisas pra lá. Desde que voltou, está mais colorida. O que vou dizer? Acabar monotonia. Sem pesos extras. Dúvidas mais divertidas. Bifurcações infinitas. Uma horda de guardiões de plantão. Sem horizontes inóspitos. Só pra provocar. A grana tá pouca, a vida tá dura, mas um tiro só não vai te derrubar. Driblando a curiosidade. Que que isso minha gente?! Muitos risos, histórias e historinhas.