24h no Facebook

O que está (ou estava) pensando parte importante dos formadores de opinião, em suas publicações no Facebook, às vésperas e após a eleição de Dilma Rousseff à presidência da República, neste domingo, 31 de outubro de 2010.

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Indeciso entre branco e nulo. Cada vez mais.
Paulo Roberto Pires – jornalista e editor

Atenção galera, não se esqueçam, neste domingo vamos marcar #Dilma45 e confirmar no botão verde! #Dilma45 😉
Augusto Sales – escritor e ‘homem de fusões’

O que não falta, para mim, são motivos para se falar mal do índio da Costa, lamentável vice do Serra. Mas acho esquisito publicar vídeo dele sendo agredido por partidários do falecido Claudinho da Academia dizendo que a cena mostra que ele “não pode ser vice-presidente”. Dá a entender que os que ameaçam e agridem estão fazendo algo que o cara “merece”. Mesmo sendo o Índio, acho perigoso afirmar isso, mas, enfim…
Gustavo De Almeida – jornalista

‎”O melhor candidato é sempre o meu”. Só isso pra explicar a reação de alguns eleitores de Serra. Tem nada não, um dia esse povo que ganhou a vida toda aprende a perder. Parabéns, Dilma, pela VITÓRIA.
Márcio Markman – jornalista

Parabéns Dilma. Votei no Serra com toda a minha convicção, mas agora é hora de apoiar o novo presidente. Não deixe que Zé Dirceu mande mais do que você. Só isso!
Raphael Perucci – jornalista

Parabenizo os companheiros e aliados pela manutenção do poder: Erenice Guerra e família, José Genoíno, Delúbio Soares, José Dirceu, João paulo Cunha, Professor Luizinho, João Magno, Sílvio Pereira, Paulo Rocha, Anderson Adauto, Henrique Pizzolato, Luiz Gushiken, Pedro Corrêa, Pedro Henry, Valdemar Costa Neto, Marcos Valério e tantos outros que tanto contribuíram durante os oito gloriosos anos de governo Lula.
Renato Lameiro – jornalista

socorro!! alguem pode passar um corretor nas olheiras do indio da costa??? que horror. o cara ja eh agua de salsicha e ainda de olheiras… tinha tudo pra ser gatinho…
Claudia Silva – jornalista

Eleito primeiro mico histórico da da Era Dilma. José de Abreu chorando, como papagaio de pirata, no primeiro discurso da presidenta. Bem, os CorruPTOS venceram mais uma vez. Mas muita água ainda vai correr. Tá todo mundo ali SUJO de dinheiro podre. Isso vai aparecer.
Mario Marques – jornalista

Dilma nunca foi minha candidata ideal. Mas espero, de verdade, que ela faça um governo justo, igualitário, tendo o povo brasileiro como prioridade. Acho que esse não é o momento para torcermos contra a Dilma só por ter(mos) votado em outro candidato. Como vi escrito no twitter ainda há pouco: se não votou, fiscalize. Se votou, fiscalize também. Mas sem guerras de opinião, pq isso é torcer contra o Brasil.
Angélica Paulo – jornalista

Espero que esses próximos quatro anos venha um pouco mais de cidadania e conquistas pra todos esses que vemos neste clipe e conhecemos bem na miséria urbana. Agora um misto de lembranças… de meu avô chorando com a volta do Brizola na tv P&B lá de casa, Prestes já idoso palestrando em meio a queda do Muro de Berlim… e tudo isso unido por um fio histórico como uma teia que entrelaça nossos sonhos.
Antônio Dutra – escritor

Acabou, galera. Apesar de tudo elegeram a Dilma. Assim que aparecer o primeiro escândalo vou lembrar de todo mundo que fez campanha pra ela por aqui, hahaha, e aí quero ver quem vai dar a cara a tapa! Agora chora!
Carla Knoplech – jornalista

E tem gente que tenta ridicularizar, minimizar, reclamar do intenso debate político e troca de informações no “Facebook”. Justamente no período eleitoral (…) É incompreensível!
“A democratização das nossas sociedades se constrói a partir da democratização das informações, da mídias, da formulação e debate dos caminhos e dos processos de mudança”. ( Herbert de Souza)
Viva o Brasil!
Cid César Augusto – jornalista e cineasta

Viva Dilma!!!! Dilma Rousseff is the new president of Brazil!!!!!
Nubia Rosa – jornalista

Votei na Dilma e fico feliz por ter eleito a primera mulher presidente do Brasil. Espero continuar feliz em 2014. Q seja um bom governo.
Isabella Guerreiro – jornalista

Agora é Dilmaaaaaaaa! É MULHER, é MULHEEEEEEEER!!
Ines Garçoni – jornalista

A única que estou achando chato são alguns comentários preconceituosos sobre nordestinos. Pessoal ‘conectado’ super reacionário
Renato Cozta – jornalista

É isso aí! agora é esperar que a primeira mulher presidente faça desse país um país ainda melhor de se viver. Que amplie a inserção e o sistema distributivo implantado nesses ultimos anos.
Ana Carvalho – jornalista

Que m…Dilma ganhou. De agora em diante, não tenho presidente da república
Giselle Andrade – jornalista

Viva a Democracia brasileira! Não há vencedores nem vencidos! Há uma Brasil, que todos, desejamos esteja sempre e cada vez melhor para todos nós, para América Latina e para o Mundo!
Marcos Pinto – fotógrafo

Impressão minha ou o Serra se emocionou nas considerações finais???
Nilo Junior – jornalista

‘O analfabetismo é um ideal difícil’

Ainda dá tempo.

Se você não leu, corra atrás da matéria de Leonardo Lichote, sobre as leituras (des)guiadas que Tom Zé tem feito em seu blog (http://tomze.blog.uol.com.br/), em conjunto com seus leitores virtuais. O texto foi publicado no Segundo Caderno de O Globo desta quinta-feira (18), mas também pode ser encontrado no blog MPB Player.

O jornalismo feito por Lichote é esperto, atento e não-preguiçoso. E esse Leituras analfabetas é um bom exemplo disso. Vale cada letra, travessão e parágrafo.

Lendo a matéria, lembrei do quanto curti me deparar com o livro Tropicalista Lenta Luta, do mesmo Tom Zé. Ganhei o livro do velho Inácio (livreiro mítico da Facha) que sempre que encontrava comigo vinha às gargalhadas com um novo trecho na cabeça para contar. Depois quinto ou sétimo caso, resolveu me dar o livro.

Aqui abaixo, só para ilustrar, pequenos recortes de Tropicalista Lenta Luta:


CARTA FROM SÃO PAULO AOS JOVENS E COMPOSITORES EM GERAL

(…)

Férias escolares. Irará. Julho. 1955. Minha namorada soube que eu fazia canções. Pediu para ouvi-las. Fiquei animado. Peguei o violão, fui encontrá-la. Durante toda uma tarde não consegui cantar. É isso aí. Fiz tudo o que era possível, a voz não saía. Não consegui.

Saí de lá morto, com a impressão de fracasso tão grande que os nervos não processavam logo a informação, para aumentar minha chance de sobreviver.

Naquele dia desisti de música. Minha carreira entrou em crise antes de nascer. Abandonar foi o que resolvi. Nunca mais fiz uma canção.

* * * *

 

MINHA IDÉIAS GOZANDO COM O PALCO DOS OUTROS

Pelo telefone

Torquato Neto: Tom, estou pedindo para roubar uma palavra sua…
Tom Zé: Que brincadeira é essa, Torquato?
TN: É, to pensando em usar “domingá” ou “domingou” numa canção que estou fazendo.
TZ: Torquato, não me diga isso… Se eu fosse reclamar coisas minhas , até mais consideráveis… Olha, estou cansado de ver minha ideias gozando com o palco dos outros.
TN: É por isso mesmo que estou ligando. Mas vamos ao caso: você escreveu essas palavras na “Moreninha”, não é?
TZ: Peraí, estou repassando a letra da “Moreninha” na cabeça…não acho as palavras! “Tempo tempou/Dia diou/Verão desinvernou…” Não, não tem “domingá” nem “domingou”…
TN: De onde é então? Já vi você cantando isso…!
TZ: Domingá, domingou… Já sei, é de outra música, “Dique do Tororó”: “Ê ê, Tororó, ê domingou/O dique está nascendo, ê, no domingá”.
TN: E como fica o caso, você me dá permissão?
TZ: Domingue tudo que você quiser, Torquato. Muito obrigado.

* * * *

ENSAIO 1

“Não, NÃO! Meta a faca no peito deles! Pegue a baioneta, salte na garganta e acabe com a fama deles! Vamos, mais uma vez!”

Nova tentativa, nova interrupção: “Não! Eu quero ver. Quero ver os fuzis na sua mão.  Baionetas, dentes e ódio. Vá, mais uma…”

Nova tentativa… “Não, vamos deixar pra manhã. Descanse. Já acabei com a garganta de uma, não quero arruinar outra. Amanhã voltamos…”

ENSAIO 2, 3 4…

“Não! Não está passando. Pule de faca sobre eles! Pegue a baioneta, salte na gargante e acaba com a fama deles! Vamos, você consegue!”

Bethânia, exausta, começou mais uma vez: “Cacará, não vai morrer de fome! Cacará, PEGA, MATA E COME!!!” “Bravos! Já se vê um fuzil na sua mão”.

Augusto Boal, ensaiando Bethânia para cantar o “Carcará”, sorriu com aquela doçura dele. “Vá descansar e tome mel. Já acabei com a garganta de Nara Leão, não quero destruir a sua. Meta o dedão no frasco e tome mel. Mel no dedão!”

Bethânia gravou o “Carcará” e vendeu 100 mil fuzis. Ou discos, se você quiser contrariar Augusto Boal. Mas eu prefiro fuzis porque com eles ela negociou o relaxamento da prisão (de Caetano e Gil), a transferência para a Bahia, o show no Teatro Castro Alves e o acordo para sair do país.

PELO TELEFONE

Bethânia: “Estou ligando para lhe agradecer, general. O show foi tudo bem e os meninos viajam amanhã”.

General: “…e diga a Caetano que não entendo de música mas, lá na Inglaterra, eu desejo que pegue a guitarra, salte na garganta dos gringos, acabe com a fama deles!”

Bethânia agradeceu e desligou com a impressão de que já ouvira aquilo em algum lugar… mas não conseguiu se lembrar.

“Bobagem!”, exclamou, e saiu assobiando “Carcará”.


*Voltarei ao assunto.