Rocking…

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#SWU

@beronio
Que dia surreal ontem no SWU. Eu simplesmente entrei na área premium como O Impostor, falando no celular e mostrando um Trident pra moça!

@BartBarbosa
Engarrafamento monstro na saida do #swu Parado hà horas em pé no onibus no meio do nada

@BartBarbosa
SWU – A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DE ‘A FAZENDA’ (PARTE I) http://nblo.gs/8YwqZ

@LuzinhaR
O repórter do Terra que ta cobrindo o #SWU teve a coragem de dizer que Jota Quest e Capital Inicial foram as melhores atrações de ontem…

@screamyell
SWU: cenário de festa ou de caos? http://screamyell.com.br/blog/2010/10/10/swu-cenario-de-festa-ou-de-caos/

@stevillar
Frio e fome é pros fracos #SWU du caralho!

@tania_assumpcao
RT @roussille: Alguém se interesse por ingresso pra #SWU de hoje por 100?

@JuliaMDAO
Caraca show perfeito da Joss Stone ontem no #SWU Arrasou! O evento foi louco. Muita infra estrutura e organização. Valeu muito!

@pabloalmeida
Resumindo: o #SWU é um evento caça-níquel. Daqueles que serão lembrados apenas como mais 1 tentativa frustrada de conscientizar as pessoas!

@UlissesCordeiro
Ouvido zunindo até agora… #SWU

Ménage à trois (ou deus e o diabo na terra do sol)

“Pode ser que eu seja exagerado. Está bem. Eu sou exagerado. Mas ninguém escreve como Cazuza. É como ouvi um rock em inglês. Fiquei inteiramente louco e gratificado de ter uma gente tocando e cantando assim. É rock sem frescura, sem nada de bem comportado, garagem mesmo. Ultimamente as coisas andam muito inofensivas, sem rebeldia. E, se continuam assim, morrem. O Barão reinventa o português de forma telegráfica, sem literatices ou metáforas vazias. São letras que possuem uma urgência cristalina, verbalizando instantes de carência afetiva, solidão ou amor total, tudo articulado com a luminosidade dos relâmpagos. Só existe um disco tão agressivo quanto o de estréia do Barão: é o do Iggy Pop, produzido pelo David Bowie.”

*Ezequiel Neves, após o lançamento do primeiro álbum do Barão Vermelho, em setembro de 1982.

*   *   *

“Certa vez fui ao Rio gravar um programa de televisão e acabei cruzando com João Araújo pelos corredores da Globo. Papeamos e no fim expedi um mandado de beijos para ser entregue pessoalmente ao filho Cazuza, que já estava bastante dodói. Acredito que o pai mensageiro tenha sido bastante eficiente no recado pois no dia seguinte cedinho recebi uma letra de música com telefone de contato: “Qualquer dia, qualquer hora, beijos, Cazuza”. Liguei no ato, afinal, fazia trocentos anos que não falava com aquele bonitinho de cabelos encaracolados, o “filho do patrão”, que ia me espionar nos gravações da Som Livre nos tempos pré Mania de você.

“Alô, Cazuza, é Lee, quanto tempo hein menino!”

“Lee! Você sabe que estou muito doente e que não vou morrer antes de você e Zeca fazerem as pazes na minha frente, portanto vamos tratar de marcar um encontro para ontem!”

“Ah! Cazuza, deixa essa história para lá, já passou…”

“Passou nada, vocês dois se amam, amanhã te espero aqui!” e desligou.

Passei anos e anos sem o menor contato com Cazuza porque o abominável Ezequiel das Neves, ex-vampiro meu e já há um tempão sugando as energias do menino, inventou casos e mais casos para que minha presença fosse barrada no baile do Barão Vermelho. Entendi na época a manobra macabra da velha raposa e fiquei na minha, apenas lamentando que uma pessoa tão nefasta quanto aquela estivesse com as asinhas tão soltas posando de amigo íntimo de um menino tão sensível como Cazuza.

“Ó céus! Vou vestir minha máscara para encarar esta dura tarefa”, pensei eu, “mas… tudo por Cazuza!”

Cheguei no pedaço na hora marcada e quando entrei no quarto fiz toda a encenação au grand complet… sorrisos, apertos de mão e até um abraço no abominável eu dei!

Depois do teatro da reconciliação fiquei um tempo sozinha com o menino no quarto, conversando sobre a letra de Perto do Fogo, que ele havia mandado. Me disse que durante todo aquele tempo que ficamos longe ele sempre pensava em mim de uma maneira bacana…

“Outro dia mesmo, quando eu estava lá em Petrópolis observando a lareira, as labaredas desenharam sua cara e me psicografaram a letra da música, achei legal que a cor da cena toda me lembrou seu cabelo de fogo.”

Voltei para o hotel, descolei um K7 e em cinco minutos a música estava pronta, tamanha inspiração. Mandei uma cópia e Cazuza adorou. Dia seguinte a letra de Comprimidos estava me esperando na portaria do hotel; ela continha partes da conversa que tivemos no quarto dela na véspera, sobre como nós dois sempre apelávamos aos comprimidos químicos para resolver nossas dores existenciais. Rimos muito da nossa magreza, decidimos que na leveza do ser voávamos mais alto. Cazuza disse ter lido em algum lugar que só em 2020 o Brasil iria sair do sufoco, e o que eu achava disso.

“Sei lá, meu, deixa ver… em 2020 eu vou ter o que, 72, 73 anos?…”

“Ah! Vai ser tudo igual, hahaha”, completou o menino com uma boa gargalhada.

*Rita Lee gravou a sua versão de Perto do Fogo no dia da morte de Cazuza, em 7 de julho de 1990, sem saber que ele havia morrido.

**Ezequiel Neves morreu em 7 de julho de 2010, exatos 20 anos após a morte de Cazuza.